EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UM ENSINO PAUTADO PELA INCLUSÃO

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Vivemos em um tempo de quebra de paradigmas sobre a educação a distância - Ead. Dizer hoje que essa modalidade de educação serve apenas para a obtenção de um diploma ou que surgiu simplesmente para a superação de lacunas educacionais na qualificação profissional e aperfeiçoamento ou atualização de conhecimentos está longe de muitas experiências que hoje vivenciamos nessa forma de fazer educação.

O sucesso da Ead foi anunciado já em tempos de antanho. Em1886, William Harper fazia o seguinte prognóstico: “Chegará o dia em que o volume da instrução recebida por correspondência será maior do que o transmitido nas aulas de nossas escolas e academias; em que o número de estudantes por correspondência ultrapassará o dos presenciais”. Guardadas as evoluções tecnológicas inegáveis, o contexto educacional que hoje se apresenta mostra que as paredes das salas de aula se abrem, transformando esses tradicionais locais de ensino-aprendizagem do tamanho do mundo. As pessoas podem se comunicar, trocar informações, dados, pesquisa a qualquer hora e de qualquer lugar. É nesse contexto que a Ead tem um papel fundamental: o direito de todos a aprender, a aprender a aprender, e a aprender ao longo de toda a vida.

A Ead é a modalidade que apresenta maior crescimento nos últimos anos no país. Talvez em virtude disso passa a ser vista como forma de ser também possibilidade de acesso a uma educação de qualidade, para atualização profissional crescente. É essa a experiência que este Instituto Federal de Santa Catarina – IF-SC, por meio da Universidade Aberta, tem vivido em muitas cidades brasileiras; Jales é uma delas.

Penso que na educação a distância desenham-se diferentes formas de ler, de interpretar e de se relacionar com o mundo. Alunos e professores desafiam-se a organizar novos esquemas de ação e de representação, desenvolver novas competências, atitudes e habilidades e pesquisar e experimentar novos processos de produzir conhecimento e de aprender.

Existe uma (re) significação de papéis. O professor assume realmente a função de liderança, de "animação" no sentido mais literal da palavra, de despertar a "alma" dos alunos para gerir-se na busca do conhecimento; trabalha em outra pedagogia, outra proposta pedagógica em que ele tem que ajudar a criar com sua prática educacional. O professor não apenas dominará um conteúdo ou técnicas didáticas, mas deverá mobilizar a comunidade de aprendizes em torno da sua própria aprendizagem, de fomentar o debate, manter o clima para a ajuda mútua, incentivar cada um a se tornar responsável pela motivação de todo o grupo. Nesse formato emerge para ele a conscientização do bom trabalho em equipe, visto que não existem bons trabalhos sem delegação de tarefas para cada integrante.

O aluno busca, por sua vez, atender às demandas dos novos ambientes de aprendizagem, percebendo-se como parte de uma comunidade de aprendizagem colaborativa e passa a desempenhar o novo papel a ele reservado nesta comunidade. Além disso, é impulsionado à busca de conhecimento, pois as aulas exigem investigação e muita leitura. Assim, precisa desenvolver as competências da disciplina e organização, pois é por meio delas que as atividades serão entregues no tempo estipulado e darão espaço para maior tempo de estudo e coleta de informações.

Propostas de Ead precisam mostrar indicadores de qualidade que a título de reflexão posso, assim elencar: compromisso dos gestores; o desenho do projeto conectado com a demanda regional; uma equipe multidisciplinar que dê conta das especificidades dessa modalidade de educação; uma consistente e eficaz comunicação / interação entre os agentes envolvidos – desde parceiros, tutores presenciais e a distância, professores, coordenadores; uma infraestrutura de apoio; a avaliação contínua e abrangente de todo o processo – gestão e pedagógica; convênios e parcerias conscientes de seus papéis e uma suficiente sustentabilidade financeira.

Ousar em educação a distância é mister e isso é possível quando o ato de educar assume o significado de colaborar para que professores e alunos transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. E nesse sentido educar é ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional, do seu projeto de vida e no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação. Enfim é ajudá-los a encontrarem seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornarem-se cidadãos realizados e produtivos.

Finalizo valendo-me das palavras do mestre Paulo Freire “Não há nada parado. Tudo está sendo, nada é”. É assim que está e precisa estar a Ead, acompanhando os tempos, as novas possibilidades de interação e de relacionamento interpessoal de possibilidade de inserção social, de propagação do conhecimento individual e coletivo e, como tal, a possiblidade de poder ajudar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária e, pois, mais inclusiva.

Enfim, estar em Jales na qualidade de não só Reitora do IF-SC, mas acima de tudo, a paraninfa da turma, deixa-me muito feliz e honrada.

O Pólo de Jales é um dos mais atuantes, com uma equipe muito atuante e compromissada e atende a todos os requisitos para ter sua continuidade aprovada.


Consuelo Sielski Santos
Reitora do Instituto Federal de Santa Catarina.